Uma amostra da investigação
O caso começa aqui.
O primeiro caso de Clara na Agência Holística de Depuração começou com uma ligação telefônica feita às dez e quarenta e sete da manhã de uma quarta-feira razoavelmente comum. O telefone, um modelo sem fio de 2006 que tinha pertencido à avó de João Ferreira antes de ser herdado em circunstâncias que ele descrevia como "apropriadamente melancólicas", tocou com uma urgência que o aparelho em si não era capaz de transmitir. O toque era o toque padrão de fábrica, um bip eletrônico levemente rouco, sem modulação. Apesar disso, João, que estava sentado na mesa de entrada com uma xícara de café pela metade e um livro de Borges aberto em páginas aleatórias, levantou os olhos antes do segundo toque e disse, em voz baixa, apenas para Clara ouvir:
— Esse é ruim.
Trecho da abertura de Tudo Está Conectado, de Kleber de Oliveira Andrade.
