A Agência Holística de Depuração · Volume I

Tudo Está Conectado

O caderno I da trilogia

João Ferreira acredita que nenhum bug existe isoladamente. Da agência instalada na Aclimação, em São Paulo, ele investiga incidentes seguindo conexões que os relatórios costumam deixar de fora. Clara chega como engenheira júnior, munida de observação, paciência e um caderno que começa a organizar o método do detetive. Entre relógios mentirosos, sistemas caprichosos e café, cada caso aproxima o absurdo cotidiano de um conceito real de engenharia de software. Os verbetes do Guia de Campo acompanham as investigações, enquanto uma lembrança de 2019 insiste em permanecer por perto.

Capa de A Agência Holística de Depuração: Tudo Está Conectado

Uma amostra da investigação

O caso começa aqui.

O primeiro caso de Clara na Agência Holística de Depuração começou com uma ligação telefônica feita às dez e quarenta e sete da manhã de uma quarta-feira razoavelmente comum. O telefone, um modelo sem fio de 2006 que tinha pertencido à avó de João Ferreira antes de ser herdado em circunstâncias que ele descrevia como "apropriadamente melancólicas", tocou com uma urgência que o aparelho em si não era capaz de transmitir. O toque era o toque padrão de fábrica, um bip eletrônico levemente rouco, sem modulação. Apesar disso, João, que estava sentado na mesa de entrada com uma xícara de café pela metade e um livro de Borges aberto em páginas aleatórias, levantou os olhos antes do segundo toque e disse, em voz baixa, apenas para Clara ouvir:

— Esse é ruim.

Trecho da abertura de Tudo Está Conectado, de Kleber de Oliveira Andrade.

Sobre o autor

Kleber de Oliveira Andrade

Escritor, desenvolvedor e fundador e CEO da Koativa. Mestre e doutor em Engenharia pela EESC/USP, aproxima tecnologia, humor e as escolhas humanas por trás do software. Sua experiência inclui 12 anos de docência no ensino superior.

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